segunda-feira, 18 de maio de 2009

Papo de Torcedor [I]

Esta coluna pretende apresentar entrevistas realizadas com torcedores, em sua maioria rubro-negros, porém, sem deixar de dar espaço aqueles que demonstram preferência por outros times.
A idéia é conversar com anônimos e, quem sabe um dia, com alguns nomes presentes na mídia, a respeito da atualidade do Flamengo, levantando também questões de interesse historiográfico para os idealizadores deste blog.
O primeiro entrevistado é o estudante de jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF) Rodrigo Cunha (RC), de 18 anos.

Para começar, por que Flamengo?
RC: Bom, quando eu era pequeno e não tinha a menor noção do que era futebol, eu era botafoguense... Meus primos e tios foram aos poucos fazendo a minha cabeça, e, por ainda não saber muito bem do que se tratava, passei a falar que era Flamengo. Comecei a torcer e acompanhar de fato o clube com uns 9 anos, ou seja, só a partir daí virei flamenguista... Acho que o empurrão inicial foi da família, mas a paixão pelo clube veio naturalmente, ao conhecer a história, a torcida, enfim, o Flamengo como um todo.

E você lembra de quando exatamente tomou conhecimento do que era Flamengo?
RC: Eu já torcia para o Flamengo há algum tempo, tinha ido inclusive a alguns jogos, já... Mas acho que só entendi mesmo o que era o Flamengo na decisão do Estadual, em 2001. Lembro que ninguém mais acreditava, mas eu ainda tinha esperança... E quando o Pet foi cobrar aquela falta, vi que não só eu, mas toda a nação tinha... A partir daí, reconheci que o Flamengo não é um clube que tem uma torcida, e sim um time que conta com uma nação monstruosa de apaixonados... Quando o Pet fez o gol e o Flamengo foi tri, passando por cima das dificuldades do resultado do primeiro jogo da final, ganhando lá, nos últimos minutos, de forma suada, na raça, comecei a entender o que era o Flamengo! Não é só mais um clube que precisa de bons jogadores... É sempre necessário ter mais, ser mais.

Esse, então, seria pra você o jogo mais marcante, ou veio algum outro depois?
RC: Dos que eu presenciei, consigo destacar mais três que me marcaram muito: a decisão da Copa do Brasil de 2006, quando o Flamengo bateu o Vasco e ficou com o título; a eliminação para o Defensor na Libertadores, com dois golaços do Renato Abreu, no Maracanã, onde o time, mesmo jogando bem (e contando com uma ajuda contra do juiz), não conseguiu o resultado, mas saiu aplaudido do Maracanã pela torcida; e, também, a vitória por 1x0 sobre o São Paulo, naquela arrancada em 2007, que, pra mim, simbolizou, mais do que tudo, aquela raça, aquele sentimento 'a mais' que tanto a torcida quanto os jogadores devem ter quando se trata do Fla.

Já que você citou a torcida, não posso deixar de perguntar: torcida ganha jogo?
RC: Isso é muito discutível, mas eu acho que sim! Um exemplo foi o Flamengo x Sport no ano passado, se não me engano, quando o Fla virou com dois gols depois dos trinta do segundo tempo... A torcida não parou de incentivar um só instante! E, claro, nessa arrancada de 2007, se não fosse pelo apoio do torcedor, o Flamengo não teria forças para subir tanto na tabela. É claro que existem casos diferenciados, como na derrota pro América do México, por exemplo, ou, então, no empate com o Inter em casa, na quarta passada. Em ambos, a torcida compareceu, apoiou o time, mas a bola não entrou, o resultado não foi o esperado. Acho que é bem dividido! Quando a técnica do time não vai bem, entra a raça, a determinação... E é isso que o torcedor passa das arquibancadas.

Aproveitando o gancho do jogo contra o Inter (e as últimas exibições do fla), por que a bola não entra?
RC: Cara, uma combinação bizarra de falta de sorte com falta de qualidade! O time tem jogado bem (excluindo-se, claro, a pífia partida contra o Avaí), mas não sabe finalizar! Os chutes são bem poucos, e nas oportunidades aéreas ou em outros cruzamentos falta um atacante que tenha faro de gol. O Emerson, na minha opinião, é muito fraco e não sabe fazer gol. O Josiel, mal ou bem, já mostrou que, se tiver confiança e apoio da torcida, pode render. O Obina, pra mim, já terminou o seu ciclo no Fla. De resto, os garotos dos juniores precisam de experiência. A grande expectativa gira em torno do Adriano, que, apesar de não precisar provar nada pra ninguém sobre o seu futebol, vai chegar com uma responsabilidade enorme de acabar com o problema crônico no ataque do Fla.

Obina! Para você não se encaixa mais no Fla. Porém, o Cuca já afirmou que ele e Zé Roberto são boas opções para o próximo jogo contra o Inter. Você acha que o técnico pode ser responsabilizado pelo rendimento do time?
RC: Sim e não! Sim porque o técnico decide quem joga, tanto antes do jogo quanto no decorrer do mesmo. Escalar mal um time ou fazer uma substituição errada pode ser determinante para um resultado ruim. E, na minha opinião, o Cuca tem feito ambos recentemente. Mas, por outro lado, a responsabilidade não pode ser toda dele, porque os jogadores estão ali para jogar em situações adversas, também. Mesmo que o time não esteja bem, o esforço individual tem que sobressair. O Flamengo tem vários jogadores com grande brilho individual, como Léo Moura, Kléberson, Willians, Aírton, Ibson... Mas o coletivo faz falta, às vezes. Ter um time bem armado e treinado é decisivo, e isso, novamente, é papel do técnico. É uma responsabilidade dos dois, técnico e time.

A paciência da torcida parece estar se esgotando com o Cuca. Você acha que a pressão de trabalhar no Flamengo é maior que em outros clubes?
RC: Pode soar como pretensão, mas eu acho que sim. Primeiro porque nenhum clube no Brasil tem o número de torcedores que o Flamengo tem. Nenhum outro clube tem tantos outros milhões de técnicos espalhados por aí. Não existe time mais odiado que o Flamengo no país. Muitos times vêem no Flamengo o maior rival, enquanto o Flamengo mesmo, não tem UM grande rival, na minha opinião. Todos torcem para o Fla se dar mal, e a torcida, em resposta, espera ótimos resultados do técnico. A pressão é muito maior, sim. Mas clubes com muitos torcedores, como Corinthians e São Paulo, também vivem pressões similares.

Ok... A idéia é a coluna começar sempre com a mesma pergunta e terminar sempre do mesmo jeito, com 2 pedidos. O primeiro é para você descrever o Flamengo em uma palavra.
RC: Paixão, pra mim, é a palavra que define o Flamengo. Primeiro porque, na minha opinião, 'paixão' é uma palavra que possui tanto raça, determinação e vontade quanto amor e identificação.

O segundo pedido é para você contar algum fato que ocorreu contigo em uma das vezes que foi ao estádio ver o jogo do Fla.
RC: Fui ver Flamengo x Corinthians em 2006, no Maracanã. Estava na fila pra comprar os ingressos pouco antes do jogo. Tinha visto os ônibus da torcida do Corinthians chegando mais cedo, mas não imaginei que eles ainda fossem comprar ingressos. O pior é que foram, e, ainda por cima, bem ao lado da torcida do Fla. Em menos de um minuto, começou uma briga generalizada na fila, bem na hora em que eu tinha acabado de comprar o meu ingresso. Consegui sair a tempo, mas por muito pouco não fiquei no meio da confusão sem querer.

Agradecendo a atenção do Rodrigo, encerro a primeira entrevista do Papo de Torcedor. Não foi nenhuma Brastemp, mas...
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Rafael Brasil, além de ser entrevistador desta coluna e um dos idealizadores do blog, cursa faculdade de História e faz mais piadas sem graça do que deveria.

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