Há poucos dias o Flamengo conquistou, pela quinta vez, o tricampeonato estadual do RJ. Não posso dizer que honestamente queria que o Flamengo perdesse a final, mas com certeza afirmo: esse título não significou nada para mim, e mais, arrisco dizer que pode ter um caráter negativo nele.
Caso não tenha ficado explícito meu tipo de análise, posso resumir dizendo que acredito sempre ser possível achar pontos negativos, por melhor que seja a situação, contudo a recíproca nem sempre se mostra verdadeira.
Saiamos do abstrato e partamos para o concreto, ou pelo menos o máximo que eu conseguir.
O jogo de hoje, contra o modesto Avaí resumiu bem o que foi o ano de 2009 para o Flamengo até agora. Um time que alterna entre o desleixo e a desorganização, com substituições questionáveis e a torcida, em sua maioria, manipulada. Se fosse um exercício de imputar culpa, daria ao Cuca a menor parcela. Está claro que, há muito tempo, no Flamengo, quem escala o time não é o técnico, mas sim uma conjunção de interesses, quase sempre escusos, que nada tem a ver com o clube(e isso não é um privilégio do Flamengo, mas também é perceptível em outros muitos clubes brasileiros, e, inclusive, a seleção brasileira).
Continuando com a (inútil) brincadeira de dividir culpa, a segunda 'mais inocente', ou menos culpada, como preferirem, eu diria que é a torcida. Esteja ela manipulada, comprada, otimista, pessimista, ausente, presente, no fim, ela quer sempre o que julga ser melhor.
A partir de agora fica muito difícil dissociar e definir a ordem, mas vou tentar (qualquer divergência é bem-vinda, sempre).
Darei a 3ª colocação aos jogadores. Não a jogadores quaisquer, como Ronaldo Angelim, que é um dos poucos profissionais(de qualquer área) que eu conheço que tem caráter¹ e dá seu máximo para tentar cumprir bem a sua função. São jogadores como Bruno, Juan, Leonardo Moura e Ibson, por exemplo, que destroem uma equipe. Acredito que os citados sejam, talvez, os mais habilidosos jogadores da equipe, e que foram fundamentais, como os laterais, que muitas vezes foram a única opção para chegar ao ataque. E é exatamente por isso que coloco sobre eles uma parte imensa da culpa, porque por diversas vezes assisto a total falta de interesse por parte deles para com o jogo, o clube ou além, para com a carreira deles.
Ao longo de todos esses anos que os referidos jogadores estão no Flamengo, eles acumulam uma vasta lista de jogos nos quais simplesmente não quiseram nada. Para não ficar retornando muito, vou enfatizar no expoente máximo deste ano, o Juan. O descaso com que ele se apresenta seria, fácil, motivo de demissão, em qualquer outra profissão, servindo, no máximo, para funcionário do DETRAN (quem conhece, sabe).
O honrado 4º lugar fica para a já citada "conjunção de interesses escusos", que vou chamar, no ápice da minha mediocridade, de 'eixo do mal'. Este é formado, principalmente, por empresários, muitas vezes inseridos em questões privadas do clube, jornalistas, políticos, etc. Obviamente não é novidade isso, também, mas as vezes somos tomados por uma ingenuidade quase infantil a ponto de esquecermos quem são os responsáveis por idas e vindas de jogadores, divulgação, marketing esportivo, e por aí vai. Só para não ficar muito abstrato, citemos o grande empresário do Flamengo, Eduardo Uram, diretor-presidente da Brazil Soccer, empresa que agencia mais da metade do time do Flamengo, há anos.
Last but not Least², os dirigentes do clube, com a grande parcela de todos os problemas do clube.
Para falar desta parte, vou citar parte da entrevista do ex-jogador do Flamengo, Leonardo, concedida ao jornal O Globo:
"Os dirigentes, que fizeram a história do clube para o bem e para o mal, e estão lá se perpetuando há 30 anos, seriam os vendedores. O clube está nas mãos deles, podem pilotar a transformação."(Fonte: Globo online, diponível aqui)
Bom, este foi um texto introdutório, de uma coluna que manterei sempre (que puder) atualizada, e diz muito de como vejo diversas situações. Conforme o grupo de estudos avançar efetivamente na pesquisa sócio-histórica, mais abordagens diferentes, sobre aspectos diferentes serão postados. Enquanto isso (e durante isso), publicamos nossas impressões, opiniões, relatos (como o Rafael Cunha fez) e esperamos que gostem, ou não.
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¹- É comum eu me utilizar do conceito de caráter para julgar os jogadores;
²- Expressão em inglês que significa "Por último, mas não menos importante".
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